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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Chega de Demolir S!P - Reminiscências Paulistanas: Hótéis de charme

Chega de Demolir S!P - Reminiscências Paulistanas: Hótéis de charme: "Quando postei a foto do Hotel Continental, me lembrei de uma reportagem guardada nos meus emails, sobre hotéis de charme. Este é um filão po..."

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Patrimônio Cultural

UM CASARÃO DESAPARECIDO

Casarão de J. Moreira
Na avenida Brigadeiro Luiz Antonio existiu, pelo menos até os anos 1960, talvez início dos 1970, um casarão raro na cidade de São Paulo. Ele ficava num terreno elevado em relação à rua e no seu ponto mais alto, deixando uma ampla área para um grande e bem tratado jardim. Ficava na esquina superior com a rua dos Ingleses.

A sua fotografia me foi enviada pelo Douglas, do São Paulo Antiga, que a recebeu de um colaborador. O casarão pertencia a um empresário paulistano de nome J. Moreira. O nome do arquivo da fotografia dá o número 1914: pode ser tanto o ano da fotografia quanto o número da residência. Saber se é o número dela eu fico devendo por enquanto, já que não estive no local para conferir isto. De qualquer forma, este número teria surgido somente no final dos anos 1930, quando as ruas paulistanas passaram a ter numeração métrica: antes, o seu número certamente seria outro e mais baixo, telvez 200 ou 300 e alguma coisa.

Hoje, no lugar desta bela casa e jardim existe um prédio de escritórios horroroso e ocupado pela Embratel. Deve ter sido construído nos anos 1970. É certo que, pelo menos até 1958, o casarão ainda estava ali.
Mapa Sara Brasil - 1930 - o casarão está ao centro do mapa. Mais à direita, para cima, o outro na esquina da Santa Madalena com a Alfredo Ellis.
No mapa da Sara Brasil de 1930, a casa ainda está lá com o seu jardim. Ver nesta página. Dá para ver que havia outra casa com amplo jardim na esquina da Brigadeiro com a alameda Ribeirão Preto, mas, como ali não existe uma elevação, a casa não teria o mesmo aspecto, construída numa área mais alta do terreno. É esta característica da casa de J. Moreira que a torna rara.

Se olharmos o mesmo mapa, veremos que há uma casa que pode ter tido esta característica, na esquina das ruas Santa Madalena e Alfredo Ellis. O muro e o terreno estão lá até hoje, servindo como estacionamento, mas a casa foi demolida e nunca vi fotos dela. Como a entrada era pela esquina das duas ruas (vê-se pelo muro ainda existente) e o terreno sobe, esta característica pode ter sido a mesma.

São relíquias que não mais existem e que faziam São Paulo ser uma cidade muito mais bela do que o é hoje.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Viajando na Rede Mineira em 1947

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

VIAJANDO NA REDE MINEIRA EM 1947

A estação de Patrocinio em 2003. Foto Dirceu Baldo
Uma velha revista mineira de fins de 1947 apresenta um relato feito por um certo Floriano de Paula, onde ele contava sua viagem de trem até sua terra há mais de dez anos deixada, Patrocínio. Linha da Rede Mineira de Viação, a "ruim-mas-vai" na época. Ele narra a partir da estação de Tigre, na serra do Urubu, estação da linha-tronco da ferrovia, a que ligava Angra dos Reis a Goiandira. Não está claro se ele partiu dali ou mais do sul.
Estação do Tigre em 2004. Foto Décio Marques
Era época de seca. "Nas duas margens da ferrovia, a terra estava arada e pronta para as sementeiras, mas a chuva não caía". Em Tigre, dez horas de atraso por causa de um descalrrilamento. Dez horas!! "Não havia dormentes em bom estado na linha: herança da ditadura: dez ou doze anos sem melhoria na Rede. Outros descarrilamentos nos esperam".
A estação de Ibiá em 2003. Foto Hugo Caramuru
Em Ibiá, Floriano perdeu o trem que ia "dali a Monte Carmelo e daí a Goiás. Pernoite forçado em Ibiá: no hotelzinho - dois e três num só quarto, camas nos corredores, camas sobre as mesas". E cita rumores de acordo secreto entre os chefes de trem e os hospedeiros. Diz que a cidade é pequena e que "o mais importante ali é a placa que a Prefeitura colocou na entrada da cidade: "Aviso: nas ruas velocidade máxima 15 km a hora. Multa: Cr$ 50,00". E elogia a medida.

No dia seguinte, parte o trem, que "transpôs o rio São João, galgou colinas e alcançou a primeira estaçãozinha dentro das terras patrocinenses. Desce a tarde. Os olhos se estendem pelas vastas campinas e repousam nas suaves e longínquas serras do Salitre e do Dourados (...) O comboio corre agora pelo vale do Salitre. Gado, plantações, lareiras. Mais planícies. As primeiras estrelas. Depois, ponteiam as luzes da cidade. Eis-me na minha Patrocínio".

A seguir, Floriano estende-se em descrições da cidade e de seus amigos, que revê depois de tantos anos. Não disse quanto lá permaneceu: começa outro capítulo. "Oito e meia da manhã. O trem apita (...) Estamos, assim, de novo, num pouco limpo, nada asselado e velhíssimo carro da RMV, rumo a Goiás. Em Celso Bueno, descarrilamento. Longas horas de espera: os trilhos despregaram-se. A linha está toda assim, dormentes podres é a regra. A mais extensa rede ferroviária brasileira cai aos pedaços (...)"

Conta ainda Floriano que um cego de Urucânia passa de carro em carro pedindo esmolas e ao final agradece tocando na sanfona melodias tristes. Havia também um músico goiano tocando uma concertina. "O trem desce para o Paranaíba: ponteiam as palmeiras, aos milhares. O rio está vazio: o caudal não é mais que um modesto córrego no fundo do leito preofundo e largo. Transposta a ponte, extensa e bonita, penetramos nas paragens goianas. Três Ranchos é a primeira estação. Manhã de neblina e um cafezinho na estação. Tomam o trem criadores abatidos com a devastação da seca nos rebanhos que morrem à míngua de pastagem".
A estação de Goiandira em 2003. Foto Glaucio Chaves
Finalmente o trem chegou a Goiandira. Ele para na estação da Rede e a estação da E. F. Goiaz fica a 100 metros mais para a frente. Entre as duas havia um profundo corte. Os passageiros do trem de Floriano perderam o "trem da Goiana" devido aos atrasos pelos descarrilamentos citados: "parece burrice haver duas estações, as duas estradas podiam ter uma só. Mas a burrice é outra, explica-me o chefe da estação. O vagão de sal sai de Angra dos Reis, km 0, e chega a Goiandira, km 1126. O sal é descarregado e armazenado, para, dia ou dias depois, ser carregado o vagão da Goiaz. Isso para viajar mais umas poucas dezenas de quilômetros. Bastava engatar o vagão da Rede na Goiana". Para finalizar, nosso relator lembrava que "Goiandira tem duas estradas de ferro e uma rodovia. Não possui, entretanto, água canalizada, luz elétrica e outros recursos medianos e fundamentais de aglomerado urbano. Suas administrações públicas não cuidaram disso".

Sessenta e três anos depois, não existem mais trens de passageiros ali e em quase nenhum ponto do Brasil. A linha-tronco da extinta Rede Mineira foi modificada no início dos anos 1980 por causa de uma represa que alagou a antiga linha no rio Paranaíba. O trem hoje desvia antes de Celso Bueno para oeste e desemboca em Araguari. Somente cargueiros, lógico. Diversas estações foam demolidas. Celso Bueno, acima citada, idem.

Os cegos e donos de concertinas não pedem mais esmolas nem cantam mais nos trens.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Blog do Ralph Giesbrecht




Patrimônio Cultural

A DECADÊNCIA DE UMA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA PAULISTA

A estação de Engenheiro Bacelar em 1909, recém inaugurada. Aparentemente na foto ainda ostentava o nome de Lagoa Grande

No primeiro dia do ano de 1909, a Estrada de Ferro Sorocabana inaugurou o trecho da mais importante ferrovia do Brasil naquele momento histórico: a ligação entre a cidade de Buri e o povoado de Lagoa Grande, parte do ramal de Itararé. Duas inaugurações mais, a primeira em março e a segunda em primeiro de abril do mesmo ano - esta até Itararé - fariam com que as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro estivessem finalmente ligadas por via ferroviária a Curitiba, no Paraná. No final do ano seguinte, com a construção de uma ponte sobre o rio Uruguai em Marcelino Ramos, no Rio Grande do Sul, fariam com que os trens chegassem até Porto Alegre, a Livramento, na divisa com o Uruguai e a Uruguaiana, divisa com a Argentina.

Não há registros, ou pelo menos não os encontrei, se esse curto trecho inaugurado até Lagoa Grande teve grandes solenidades. É até possível que não, pois além de ser pequeno - apenas 26 quilômetros - já se esperava por duas inaugurações próxima: uma dois meses depois, até Rio Verde, às margens desse rio e a final, mais curta, mas mais importante, em primeiro de abril, que se ligaria com a linha já pronta da E. F. São Paulo-Rio Grande em Itararé.
1990 (Hugo Caramuru)
Tecnicamente eram a mesma linha naquele instante: as duas estavam dadas em concessão à Brazil Railway Company, de Percival Farquhar e Hector Legru, a Sorocabana como concessão do governo do Estado à BRC e a SP-RG sendo propriedade da própria BRC e não da União.
1998 (Ralph M. Giesbrecht)
Pouco depois da inauguração, a estação de Lagoa Grande foi renomeada como uma homenagem ao Engenheiro Joaquim Huet Bacellar, que dirigiu por algum tempo as obras do ramal de Itararé e trabalhou em diversas outras ferrovias no Brasil, além de obras de engenharia de todos os tipos. O nome passou então a ser Engenheiro Bacellar.

A estação era pequena e bem típica da Sorocabana dessa época: várias outras no mesmo ramal eram praticamente iguais a ela, como a de Rondinha, inaugurada no mesmo dia e no mesmo trecho da ferrovia. Sofreu uma ou outra reforma com o tempo, mas manteve sua arquitetura básica. Por ela passaram inúmeros trens da Sorocabana, cargueiros e de passageiros. Por ela passou o comboio de Getúlio Vargas, subindo de Porto Alegre para o Rio de Janeiro na revolução de 1930 e passou também o famoso Trem Internacional, criado em 1943 como alternativa às viagens de navio para o Sul, no meio da guerra onde submarinos alemães afundaram alguns vasos brasileiros. Esteve próxima a inúmeras batalhas durante a revolução de 1932, pois estava não muito longe da fronteira paranaense.
2003 (Adriano Martins)
Até os anos 1980, estava em razoável estado de conservação. Ainda estava aberta no ano de 1986, mesmo sem trens de passageiros, que acabaram oito anos antes naquela linha. Nos anos 1990 começou sua degradação. Foi fechada. Em 1998, nem os trens de passageiros criados em 1997 para ligar Sorocaba a Apiaí paravam. Passavam direto. Eu mesmo passei por ela e percebi seu abandono numa manhã - cerca de seis horas da matina - de maio de 1998 vindo de Apiaí no trem.

2004 (Cristian Steagall-Condé)
Voltei a ela, de carro, nesse mesmo ano, seis meses depois e a fotografei. Era a única estação localizada no relativamente novo município de Taquarivaí, mas nem por isso a prefeitura jamais deu qualquer importância ou manutenção: está em zona praticamente rural, próxima à estrada que liga a cidade a Itapeva, mas sem poder ser vista desta. O armazém de mercadorias da CIBRAZEM que foi construído junto a ela anos antes justamente para se utilizar da infraestrutura ferroviária também fechou e foi abandonado.
2011 (André Luiz de Lima)
Da estaçãozinha hoje somente restam as paredes. Meu amigo André, de Itapeva, enviou-me uma foto dela tomada dois dias atrás. E nesta postagem coloco todos os estágios de deterioração de uma estação ferroviária brasileira. O que diria Joaquim Huet de Bacellar se ressuscitasse e visse o abandono a que relegada o velho e histórico prédio da antiga Lagoa Grande? 
Créditos, link aqui. 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Patrimônio Cultural


Igreja feita por escravos em Salvador é restaurada com paciência e técnica

Igreja de Nossa Senhora dos Homens Pretos, que demorou mais de 100 anos para ser construída, é restaurada há mais de um ano. A previsão é concluir a obra quando a irmandade comemora 325 anos...confira,acesse:

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2010/11/igreja-feita-por-escravos-em-salvador-e-restaurada-com-paciencia-e-tecnica.html

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

domingo, 14 de novembro de 2010

Patromônio Cultural

Monumento a Estácio de Sá ganha centro de visitantes

Turistas vão poder saber mais sobre a história do Rio de Janeiro

O roteiro turístico do Rio ganha mais um presente - o centro de visitantes no Monumento Estácio de Sá, no Parque do Flamengo. É mais uma alternativa de passeio para cariocas e turistas, que podem aproveitar para curtir também o visual que envolve o monumento, como um ângulo imperdível do Pão de Açúcar. Quem for, vai encontrar computadores que serão usados para pesquisa e totens multimídias, onde turistas e cariocas poderão conhecer um pouco mais sobre a história do Rio de Janeiro, através de um conteúdo audiovisual.leia mais,acesse:
http://www.rioguiaoficial.com.br/passeios/centro+de+visitantes+com+conte+do+audiovisual+no+flamengo/10+11+2010/444