
Há exatos 29 anos o Brasil perdia a voz de Elis Regina. A cantora foi encontrada desacorda em seu apartamento na manhã do dia 19 de janeiro de 1982, em São Paulo. Levada às pressas para o hospital, não resistiu. A causa da morte chocou o país. Segundo o laudo emitido pelo Instituto Médico Legal, Elis morreu por ingestão de cocaína e bebida alcoólica.
Apontada como uma das maiores vozes da música brasileira, Elis é, sem dúvida, a mais lembrada entre os artistas que já nos deixaram. Infelizmente, nomes como Maysa, Clara Nunes e Nara Leão – para pegar exemplos da geração de Elis – não são tão festejados como o da Pimentinha.
Além do grande talento, nos últimos anos, algumas iniciativas ajudaram a manter vivo o mito Elis. A gravadora Trama, que tem como um dos donos o filho mais velho de Elis, João Marcello Boscoli, colocou no mercado dois importantes Dvds, Elis regina – MPB Especial (de 1973) e Elis Regina Carvalho Costa (1980). Além disso, remasterizou a atualizou três discos de Elis: Elis &Tom, Falso Brilhante e Elis. Nas lojas, é possível encontrar toda a discografia da cantora.
Maria Rita, filha caçula da cantora, também ajudou nesse processo. Muito jovens que se encantaram com sua voz da jovem foram buscar quem era Elis e passaram a ouvir seus discos.
É preciso mais. A gravadora Trama poderia continuar o trabalho de “rejuvenescimento” dos discos de Elis. As TVs poderiam liberar seus arquivos para que novos Dvds chegassem o mercado. “Tirar a poeira” dos nossos ídolos é fundamental para que eles continuem encantando novas gerações.
Não conheço toda a obra dessa grande cantora, mas tem uma música que sempre que toca paro para ouvir, e acredito ser uma das mais conhecidas. Escutem ela, e leiam um pouco sobre uma grande personalidade brasileira.
Poucas pessoas sabem quem realmente descobriu Elis. Foi um vendedor da gravadora Continental chamado Wilson Rodrigues Poso, que a ouviu cantando menina, aos quinze anos, em Porto Alegre. Ele sugeriu à Continental que a contratasse, e em 1962 saiu o disco dela. Levei Elis ao meu programa, fui o primeiro a tocar seu disco no rádio. Naquele dia eu disse: Menina, você vai ser a maior cantora do Brasil. Está gravado.

Em 1964, um ano com a agenda lotada de espetáculos no eixo Rio-São Paulo, assinou um contrato com a TV Rio para participar do programa Noites de Gala; é levada por Dom Um Romão para o Beco das Garrafas sob a direção da dupla Luís Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli, com os quais ainda realizaria diversas parcerias, e um casamento com Bôscoli em 1967. Acompanhada agora pelo grupo Copa trio, de Dom Um, canta no Beco das Garrafas, o reduto onde nasceu a bossa nova, e conhece o coreógrafo americano Lennie Dale, que a ensinou a mexer o corpo para cantar, tirando aquele nado que ela tinha com os braços.
Participou do espetáculo Fino da Bossa organizado pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, que ficou conhecido também como Primeiro Demti-Samba, dirigido por Walter Silva, no Teatro Paramount, atual Teatro Abril (São Paulo). Ao final do mesmo ano (1964) conheceu o produtor Solano Ribeiro, idealizador e executor dos festivais de MPB da TV Record. Um ano glorioso, que ainda traria a proposta de apresentar o programa O Fino da Bossa, ao lado de Jair Rodrigues. O programa, gravado a partir dos espetáculos e dirigido por Walter Silva, ficou no ar até 1967 (TV Record, Canal 7, SP) e originou três discos de grande sucesso: um deles, Dois na Bossa, foi o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias. Seria dela agora o maior cachê do show business.
O estilo musical interpretado ao longo da carreira percorria assim o “fino da bossa nova”, firmando-se como uma das maiores referências vocais deste gênero. Aos poucos, o estiloMPB, pautado por um hibridismo ainda mais urbano e ‘popularesco’ que a bossa nova, distanciando-se das raízes do jazz americano, seria mais um estilo explorado. Já no sambaconsagrou Tiro ao Álvaro e Iracema (Adoniran Barbosa), entre outros. Notabilizou-se pela uniformidade vocal, primazia técnica e uma afinação a toda prova. O registro vocal pode ser definido como de uma mezzo-soprano característico com um fundo levemente metálico e vagamente rouco.

A antológica interpretação de Arrastão (Edu Lobo e Vinícius de Moraes), no Festival, escreveu um novo capítulo na história da música brasileira, inaugurando a MPB e apresentando uma Elis ousada. Uma interpretação inesquecível, encenada pouco depois de completar apenas 20 anos de idade e coroada com o reconhecimento do Prêmio Berimbau de Ouro. OTroféu Roquette Pinto veio na sequência, elegendo-a a Melhor cantora do ano.

Em 1975, com o espetáculo Falso Brilhante, que mais tarde originou um disco homônimo, atinge enorme sucesso, ficando mais de um ano em cartaz e realizando quase 300 apresentações. Lendário, tornou-se um dos mais bem sucedidos espetáculos da história da música nacional e um marco definitivo da carreira. Ainda teve grande êxito com o espetáculo Transversal do Tempo, em 1978, de um clima extremamente político e tenso; o Essa Mulher em 1979, direção de Oswaldo Mendes, que estreou no Anhembi em São Paulo e excursionou pelo Brasil no lançamento do disco homônimo; o Saudades do Brasil, em 1980, sucesso de crítica e público pela originalidade, tanto nas canções quanto nos números com dançarinos amadores, direção de Ademar Guerra e coreografia de Márika Gidali (Ballet Stagium); e finalmente o último espetáculo, Trem Azul, em 1981, direção de Fernando Faro. Data desta época a frase:
Neste país só duas cantam: Gal e eu.Dentre os inúmeros sucessos consagrados, estão: Arrastão, Canção do sal, Redescobrir, Aprendendo a jogar, Casa no campo, Fascinação, Maria Maria, Romaria, Cartomante, Corcovado, Upa, neguinho!, O Bêbado e a Equilibrista, Aquarela do Brasil, Águas de março, Retrato em preto e branco, Alô, Alô Marciano, Dinorah Dinorah, Canção da América, Travessia, Saudosa maloca, Me Deixas Louca, Aviso aos Navegantes, Folhas Secas, O mestre-sala dos mares, Bala com Bala, Tiro ao Álvaro, Iracema, Aquele Abraço, Como Nossos Pais, Doente Morena, Ensaio Geral, Fechado para Balanço, Ladeira da Preguiça, Louvação, No Dia em que Eu Vim Embora, Meio de Campo, O Compositor Me Disse, Gracias a la vida, Oriente, Rebento, Roda, Se Eu Quiser Falar com Deus, Viramundo, dentre muitos outros.
Ganhou fama internacional e se apresentou por diversos países da Europa, África, América Latina, além de México e Japão. Foi a voz de grandes compositores da música brasileira, como Milton Nascimento, João Bosco, Aldir Blanc, Gilberto Gil e Renato Teixeira.
Durante sua carreia, lançou 27 discos e dezenas de compactos. Alguns deles se tornaram clássicos e obrigatórios em qualquer coleção de música popular brasileira, como Dois na bossa nº. 1 (1965), Elis & Tom(1974), Falso Brilhante (1976), Elis, essa mulher (1979), Saudades do Brasil (1980) e Elis (1980).

Sempre engajada politicamente, Elis participou de uma série de movimentos de renovação política e cultural brasileira, com voz ativa da campanha pela Anistia de exilados brasileiros. O despertar de uma postura artística engajada e com excelente repercussão acompanharia toda a carreira, sendo enfatizada por interpretações consagradas de O bêbado e a equilibrista(João Bosco e Aldir Blanc), a qual vibrava como o hino da anistia. A canção coroou a volta de personalidades brasileiras do exílio, a partir de 1979. Um deles, citado na canção, era oirmão do Henfil, o Betinho, importante sociólogo brasileiro. Também merece destaque, o fato de Elis Regina ter se filiado ao PT, em 1981.
Outra questão importante se refere ao direito dos músicos brasileiros, polêmica que Elis encabeçou, participando de muitas reuniões em Brasília. Além disso, foi presidente da Assim, Associação de Intérpretes e de Músicos.
Causando grande comoção nacional, faleceu aos 36 anos de idade em 19 de janeiro de 1982(veja a notícia no Jornal do Brasil), devido a complicações decorrentes de uma overdose de cocaína, tranquilizantes e bebida alcoólica. Foi sepultada no Cemitério do Morumbi.
Choram Marias e Clarices… Chora a nossa pátria mãe gentil. Em busca de um sol maior, Elis Regina embarcou num brilhante trem azul, deixando conosco a eternidade de seu canto pelas coisas e pela gente de nossa terra. E uma imensa saudade.Elis é mãe de João Marcelo Bôscoli, filho do casamento com o músico Ronaldo Bôscoli, e de Pedro Camargo Mariano e Maria Rita, filhos do pianista César Camargo Mariano. Os três enveredaram pelo ramo da música.
Fonte: Wikipédia e Revista Época
Assista o Vídeo, créditos link aqui.
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